A CONCISÃO DE IDEIAS E A EXPANSÃO DOS IDEAIS

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Você sabe o que é uma crônica exatamente? Dentro de suas muitas definições, eu também me confundo sobre em que categoria da crônica eu colocaria meus generosos textões, estes que ultimamente têm povoado meu site e meus outros espaços virtuais.
Tenho o hábito de escrever me dirigindo ao leitor com intimidade, bem no estilo de um descontraído bate-papo, onde não contamos linhas ou palavras, mas, sim, o sentimento bom de podermos falar com quem sabe ouvir.
Costumo, ao escrever prosa, também cruzar com frequência e despropositadamente a suave linha que separa a crônica do conto. Mesmo nos contos curtos, que adoro escrever, tenho neles sempre uma ponta de crônica. E gosto disto! Gosto de poder ser eu mesma no que escrevo, ficção ou não.
Assim, nestes meus “maus” hábitos de escrever longamente sobre um determinado assunto ou de fazer prosa “misturada”, sigo meu caminho literário distribuindo um certo “estilo” que uns gostam, outros não. Normalidade total, afinal não sou, como ninguém é, unanimidade ou sinônimo de perfeição. Passo longe!
Minhas reflexões prosaicas falam muito do que vejo, leio, experimento (então são mesmo crônicas!) e, por mais extensas que sejam, alcançam o leitor que me interpela, me fala de suas dúvidas, discorda ou concorda comigo, mas raramente fica indiferente.
Creio que se chego a este ponto é porque tenho a facilidade de escrever sobre ideias e sobre ideais. E sim, há diferenças.
Quando se fala das coisas como ideias, a concisão vem com elas. Somos objetivos, porque ideias a gente expressa diretamente. Se expomos fatos em forma de ideias, o pensamento é rápido e se conclui brevemente.
Bem diferente dos ideais. Para falar das coisas como ideais, há uma verdadeira verborragia que acontece. Expressar ideais nos concede uma generosa licença para a prolixidade: as palavras jorram, as linhas se jogam no papel, parágrafos inteiros se seguem sem que a gente se dê conta e acabamos (pelo menos eu) preenchendo páginas e páginas sem perceber! Os mesmos fatos que contamos de forma objetiva em tanto que ideias, ao fazermos deles ideais, perpetuam-se.
E o que identifica uma coisa e outra? Para mim, simplesmente o coração. Aquela coisa de se escrever com a emoção à flor da pele ou colocar no papel apenas o que a mente traduziu. Ambas as formas são boas e oferecem excelente leitura.
Ideias e a brevidade que lhes convém; ideais e a abundância que lhe acompanha…. Tudo é válido na prosa. Até mesmo escrever misturando mente e coração. Porque o que conta mesmo é dar liberdade ao leitor, que ele é que sabe o que gosta de ler, quanto tempo dispõe para suas leituras e como gosta de ver os assuntos tratados.
Nós, que escrevemos, temos unicamente o dever de manter nossa identidade nos textos que apresentamos, pouco importa o gênero ou o tamanho. Mas nunca fingindo ser o que não se é. Porque isto o leitor percebe. E não perdoa!

Imagem by Alexa Photos

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