Poetar é preciso!

VARAL DO BRASIL

Oficina criativa: CONTO EM GOTAS II

 

Oficina criativa “Poetar é Preciso” – Criação livre de poemas com tema livre

Organização de Marilu F. Queiróz

 

  • ANA ROSENROT

 

Vigília

 

Observo o movimento…

De sua lenta respiração,

Enquanto você dorme tranquilo,

Seu sono estou a velar

 

Será que você está sonhando?

Ou sua mente somente vaga na escuridão…

Queria estar dentro de você,

Me fazer visível, exigir atenção;

Com uma mensagem subliminar,

Em você me gravar

 

Para quando finalmente acordar,

Ficar feliz em me ver,

Por perto sempre me querer

E no adeus nunca mais pensar.

 

 

 

  • ANA ROSENROT

 

Noite Escura

 

Na noite escura busco a luz,

Cruzo com a multidão sem rumo…

Seus rostos lívidos, mascarados,

me assombram…

 

Aperto o passo,

fujo de mim mesmo…

Temo a noite, a escuridão,

os pensamentos em turbilhão…

Ideias a me apavorar…

Como faces do mal em uma parede…

 

Corro e não saio do lugar…

O mundo, prisão sem janelas,

me sufoca…

 

Quero sair da escuridão da noite…

Minha alma libertar…

Buscar a luz do sol ao amanhecer,

para do pesadelo fugir…

E você do meu lado encontrar.

 

 

 

  • ANTONIO SERGIO NÉSPOLI

 

O tato

 

O tato fere

ferve

fende

e pode

cura

mata

e ressuscita

 

se toca na ferida

entreaberta

o tato fere

 

fende a veste

e acha a pele

o suave tato

 

na turbação do dia

o tato tenta

a pele nega

 

na turvação da noite

o tato pode

a pele ferve

 

 

 

 

 

 

  • ALEXANDRA MAGALHÃES ZEINER

 

 

Mães, avós, filhas, irmãs, tias, primas, amigas, companheiras, amantes, deusas…

Uma só, muitas faces, universos, galáxias, planetas, estrelas, luas…

Lá no fundo Uma só, parte Dela, modelo de criação e inspiração…

Hoje, ontem, sempre, cada dia, cada semana, mês e ano, em processo de evolução…

Em constante metamorfose, criando, mudando, melhorando, mergulhando em universos paralelos…

Resposta da Criadora de todos os mundos para nosso planeta, filhas da Mãe Natureza.

 

 

  • EDUARDO BENETTI

 

Notas

 

Notas suaves a embriagar

Por entre brumas oníricas

Por dimensões a navegar

Distorcendo a realidade empírica

 

Então sinta a harmonia universal

Quando a pele começa arrepiar

Desprenda-se do corpo carnal

E sinta-se em espírito flutuar

 

Num toque, coloque-se a sonhar

Cores vívidas até então despercebidas

Mistérios universais a desvendar

Emoções únicas jamais sentidas

 

E assim, a harmonia divina convida a cantar

Sinfonia de sons, cores e percepções

O revoar de anjos, a brisa a refrescar

Reluzindo pureza de seus corações

 

Então desperte do sonho tão divino

Pois Morpheus o convida a viver

Tal como profundo corte ferino

Deverá morrer para renascer

 

 

  • EDUARDO BENETTI

 

Incessante Tempo

 

Corra…corra incessantemente

Desespere-se sem jamais pensar

Não há o que viver plenamente

Corra…corra sem onde se guiar

 

Tic Tac, Tic Tac, segundos passam

Passa a vida, passa despercebida

As batidas contundentes alucinam

Inquietante mover-se entorpecida

 

Momentos passam em alta velocidade

Atormentado, preso neste paradoxo

Não viva, não! Perca-se em futilidade

Quebra-cabeça incompleto, inortodoxo

 

Sinta seu cérebro desesperado

Incapaz de continuar nesta loucura

Seu corpo jaz sem forças, esgotado

Passa o tempo, aumenta a amargura

 

E no limite entre loucura e razão

Lágrimas copiosas banham seu rosto

Labirinto insano arrasta-se no chão

E se vê ruir fragmentado e decomposto

 

 

 

  • FLAVIA ASSAIFE

 

Retalhos

 

O ideal é sermos plenos, inteiros.

Mas na estrada da vida há devaneios

Há desvios, há desfiladeiros…

 

A marcha nem sempre é como gostaríamos

A travessia às vezes é fadigosa

Podendo ser custosa,

Mas, também muito prazerosa…

 

O ir e vir são o alimento do corpo

O ser ou ter são retalhos da alma

A serenidade para transpor dificuldades depende de calma

As conquistas materiais dependem de árdua batalha…

 

A cada etapa novo retalho

A cada pincelada novo cenário

A cada ponte ultrapassada

Nova linha de chegada…

 

A cada página histórias sendo contadas

A cada fragmento vidas sendo traçadas

A cada escolha decisões sendo tomadas

A cada passo retalhos ficando pelas estradas…

 

Retalhos de diversas vidas

Vidas compostas por múltiplos sonhos

Sonhos que orquestram todas as vidas

Vidas que costuram retalhos…

 

 

  • FLAVIA ASSAIFE

 

Voa Passarinho

 

Voa passarinho

Voa alto, sai do ninho.

Experimenta a liberdade

Escolhe o teu caminho

 

Voa passarinho

Sente a brisa que te abraça

Sente a leveza do bater de suas asas

Plaina entre as nuvens de algodão

 

Voa passarinho

Voa com alma e coração

Não tenha receio do silêncio ou da vastidão

Saboreie a imensidão

 

Voa passarinho

Vá à busca do teu destino

Ninguém nunca está sozinho

Há bons amigos ao longo do caminho

 

Voa passarinho

Vá ao encontro da felicidade

Não se entregue as garras da maldade

Supere a dor da saudade

 

Voa passarinho

Alegria não tem idade

Voa por toda a eternidade…

 

 

  • FLAVIA ASSAIFE

 

Eterno Peregrino

 

Nas vielas do meu coração

Ecoam sons perdidos

Misturados entre felicidade e ilusão

 

Entre as notas dos caminhos da vida

Passos são dados na mais justa medida

O tempo estabelece a melodia

As escolhas definem a harmonia

 

O som amargo da tristeza

É grave em sua rudeza

O som doce da alegria

Encoraja a ousadia

 

O som felino da frustração

Instiga o acorde da ilusão

O som inebriante da felicidade

É desejado por toda a eternidade

 

Sons se misturam, vêm e vão

Criam sensações além da imaginação

Liberto os medos e receios

Volito pela música sem anseios

 

Nas vielas do meu caminho

Há muitos destinos

Poucos em desalinho

Sou um eterno peregrino

 

 

 

  • FLAVIA ASSAIFE

 

 

Proteção

 

existe um elo

que me encaminha

a tudo aquilo

que não vejo

existem segredos

que só pressinto

existem mistérios

que desvendo

só com o desejo

 

 

  • ISABEL VARGAS

 

 

Rosa vermelha: a imagem do amor

 

As rosas são flores deslumbrantes.

Seu desabrochar é um primor natural

Admirado por seres delicados e sensíveis.

 

Rosas são especiais, finas, perfeitas

Seu perfume é inebriante e inesquecível

São presentes inolvidáveis para os enamorados.

 

A rosa vermelha é símbolo de amor profundo

 

Sua beleza e seu perfume atraem borboletas e beija-flores.

  • ISABEL VARGAS

 

Voz interior

 

Cenário encantado me envolve

Silêncio interior quebrado

Pelo suave murmúrio das ondas

Deixando meus sentidos em êxtase.

 

Entrego-me à suavidade do momento

Paz infinita toma conta de meu ser

Meus pensamentos voam leves

Recordando passado recente.

 

Momento propício para um diálogo interior…

Uma voz sussurra ao meu coração

O quanto é importante não esmorecer e,

Deixar o passado em seu lugar.

 

A voz sopra que é tempo de renovar

Plantar uma nova semente de esperança

Seguir em frente, sem temor e com confiança

Como as águas de um rio que jamais retornam.

 

Agradecida deixo a brisa beijar minha face

Acariciar meus cabelos que voam libertos

Inolvidável canção das águas me envolve

E purifica minha alma com seu som límpido.

 

 

  • ISABEL VARGAS

 

Férias de outrora

 

Quando trabalhava adorava minhas férias

Eram dias de muito mar, areia e queimaduras.

Folguedos das crianças,

Canseira sobrava aos adultos:

A nós, é claro, com quatro crianças.

Um, dois, três quatro…

Era minha contagem

De quinze em quinze minutos.

Mesmo com o receio delas no mar

Foi um momento desejado

Todos os anos, em onze meses.

Era momento de liberdade, alegria

Descontração, fuga da rotina.

Meus filhos liam muito nas férias,

Influencia materna, lógico.

Era comum levar livros

Atualizar minhas leituras

Debaixo do guarda sol

Ou nos momentos de descanso.

Hoje, com todos adultos

Férias é nostalgia,

Doces recordações de outrora.

 

 

  • ISABEL VARGAS

 

Olhar desbravador

 

Quando paro a fim de me descobrir,

Volto minha atenção para mim mesmo,

E faço uma reflexão sobre minha vida.

Busco o autoconhecimento.

Estou tendo um olhar diferenciado.

Busco descobrir meus desejos,

Minhas vontades mais profundas.

Realinho minha vida de acordo com este olhar

Faço planos, projeto objetivos,

E vou com afinco em busca de atingi-los.

Só através da busca interior

É possível ser pleno, feliz e mais leve.

Não é possível viver segundo desejos alheios.

Só buscando a satisfação interior

É possível ser feliz.

 

 

  • ISABEL VARGAS

 

O que dizer?

 

Deste mundo louco

Da violência diária,

Da expansão do terrorismo

Das mortes inúteis

Da desvalorização da vida humana?

Da falta de consciência frente

À vida

À natureza degradada,

A infância abandonada,

A educação deteriorada.

Eu digo: Basta!

 

 

  • ISABEL VARGAS

 

Flores de cerejeira

 

Flores de cerejeira são delicadezas da Natureza

Que aqui brotam trazidas por imigrantes

Em um momento sublime de doação

Do homem que a plantou para todos.

Suave e efêmera beleza em vários tipos e cores

Que a todos emociona e encanta

Pela expressão de suavidade e beleza

Que faz o homem elevar-se em admiração.

 

Quisera que os homens se sensibilizassem

E se espelhassem em tamanha candura

Para agir com seus semelhantes

E enobrecer as relações humanas,

 

Seu perfume a todos inebria

Ao ambiente produz frescor

À alma energiza e renova.

 

Breve, linda, suave, beldade entre as demais

Que doam visão de pureza singela

E de como a vida mesmo breve é bela.

 

 

  • JACQUELINE BULOS AISENMAN

 

Emoções cativas.

Cativantes ações.

Corações à deriva.

Sentimentos à flor da pele

Sentimentos soterrados na mente algoz…

Sentimentos escorrendo

correndo rápidos

formando lembranças hostis…

Salva-se um ou outro pensamento.

 

Emoções perdidas

 

 

  • JACQUELINE BULOS AISENMAN

 

A ausência

é um rio seco de lágrimas

choradas, engolidas,

jogadas do coração para fora

pela extrema dor…

E a saudade

são as águas do rio

que voltam a correr loucas

trazendo e levando

lembranças

para que a solidão

não permaneça

para que o coração

não esqueça

que um dia

não esteve vazio!

 

Ausência e saudade

 

 

  • LY SABAS

 

Foto de dois mil e seis

 

Não sei de onde vem tamanha ternura

Que me envolve ao observar as duas

Em foto de dois mil e seis

 

Talvez do verde que escorre do olhar

Ou do sorriso a se propagar

Em simetria lúdica entre covinhas de beleza

 

Pode ser que venha dos cachos avermelhados

Caindo belos e encorpados

Em perfeita sintonia

 

Quem sabe venha do formato de coração

Que as cabeças encostadas dão

Finalizando com os queixos delicados

 

Não sei, mas é um doce sentir

Que faz minha parte mãe referir

Para que o tempo não esmoreça

 

 

  • LY SABAS

 

 

Proteção

 

existe um elo

que me encaminha

a tudo aquilo

que não vejo

existem segredos

que só pressinto

existem mistérios

que desvendo

só com o desejo

 

 

  • LY SABAS

 

 

Tiziu

 

Era só um pássaro

pequenino e solitário

no alto do poste.

Penas pretas

reluzindo ao sol pálido

da manhã invernal.

Vieram ou outros,

em bando pardo,

sem brilho algum.

E a inveja barulhenta,

expulsou o pequeno pássaro

de meu jardim…

 

 

  • LY SABAS

 

 

Entrega

 

Não são tuas mãos

nem tua boca,

ou tua língua em minha pele.

São teus olhos,

vidrados,

à espreita do gozo,

que me enlouquecem…

 

São teus olhos,

que me arrebatam

e provocam a entrega,

o prazer sinuoso

que desliza quente

e todos os medos

desvanecem…

 

 

  • MARILU R F QUEIROZ

 

 

Poema com E

 

E, quer dizer

Essência, existência,

tempêro celeste.

Excêntrico verso…

 

E, quer dizer

Veia poética,

eclética certeza,

efêmero eco…

 

E, quer dizer

Elemento estético,

insensatez benéfica,

exagero ético.

E, é

Etéreo, fonético, completo…

Espelho dele mesmo!

 

 

  • MARILU R F QUEIROZ

 

Vento

 

Sussurra vento…

assopra, cicia,

bisbilha, balbucia,

suspira, chia,

soa, esfuzia,

silva, sibila…

Assobia vento!

 

 

  • MARILU R F QUEIROZ

 

 

A cor

 

A cor mancha

a cor se mancha

mancha cor…

mancha,

a mancha

cor!

 

 

  • NORÁLIA CASTRO

 

Manhã de Natal
Com a face translúcida
Ele aí está
A sorrir para a imensidão
Da obra do Criador, o Pai.
Sendo filho obediente
Acomoda-se ao ensinamento
E lhe diz:
Ame a Terra como eu amo,
Meu lar de mil lições.
Meu aconchego com pares
A ditar bons dias.
Que a luz se faça nos corações
E o amor exploda em dimensões.
Sou Eu, sou Ele, somos Nós.
A trilhar para a evolução.
Perfeição sempre terá
Na imperfeição a encontrar
Para sempre dizermos
Bom dia,
Que se cumpra o trabalho
No aconchego do amor.

 

 

  • NORÁLIA CASTRO

 

Ambição

 

Quero mais.

Quero cantos de sabiás.

Quero ternura na paixão.

Quero asas de pavão.

Quero ais de gritos soltos.

Quero mais.

Quero a força da integração

Quero a paixão dos apaixonados

Quero a loucura das descobertas

Quero o estalo da liberdade.

Quero mais.

Quero que o socar de bifes

Me diga que é hora do almoço

E que a mesa está posta.

 

 

  • NORÁLIA CASTRO

 

Alinhavos do Tempo r 31

 

O sonho

Inveja, sensação mesquinha

De aconchego impúbere.

Só consigo poetar

Solidão, tristezas.

Procuro alcançar

O outro lado

Desafiante crítica

Correntezas sem fim.

Não desisto.

Mesmo que o desejo

Esteja nascido da inveja,

Sonho com o verso

E o reverso.

Não mais.

 

 

 

  • NORÁLIA CASTRO

 

Aprendizagem

 

Tricotei. Pintei. Bordei.

Muitas vezes repeti. De novo.

Repeti. De novo.

Acabrunhada no primeiro passo,

Aprendi:

Laçadas a serem lançadas.

Tricotei mais. Repeti.

Pintei mais. De novo.

Bordei mais. Repeti.

E não mais parei de aprender

Até firmar-me com meus passos.

 

 

 

  • NORÁLIA CASTRO

 

A procura

 

Empírico ou lírico.

Sonho ou utopia.

Cidade floral

Com cheiros suaves,

Às vezes marota

com gosto de garota.

Aí está Castália,

fonte de inspiração e sabedoria.

Não parece ou parece,

hoje ser lírico é ser empírico.

A pequena fonte ficou

a jorrar água em fluxos

e refluxos — o lirismo onde está?

 

 

 

  • PAULO PAZZ

 

Avante,

Avance

À frente.

Em frente

Enfrente

 

Cuide!

Seus fantasminhas

São mais letais

Que os monstros,

Porque agem

Na surdina.

 

 

 

  • PAULO PAZZ

 

Eu recebo teu ventre em meu chão,

Fazendo cicatrizes, rastros indeléveis.

Teu arrastar é cicio de silêncios,

São tatuagens marcando

Minhas paisagens virgens de apreço.

 

Enches meus abismos

Com tua seda, com tua sede,

Com a cepa de teus tamancos

Ecoando em minhas paredes.

 

Meus vazios são poucos

Para o teu transbordar,

Mas sigo, vaso faminto sob o céu.

 

Sigo, severo, sorvendo a languidez

De teu roçar-me as escarpas.

Sigo, sendo eu para ti e tu em mim.

 

 

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