Gazal, oficina no Grupo do Varal

VARAL DO BRASIL

Oficina criativa: GAZAL

Proposta: Criar poemas do gênero Gazal

Organização: Ly Sabas

O Gazal ou Gazel iniciou-se na poesia lírica da Pérsia, no final do século VII, com cunho erótico como se o poeta estivesse “conversando com as mulheres”. O poema leve, de forma fixa, é ainda utilizado na Índia e no Paquistão. É composto por no mínimo sete dísticos e por quinze no máximo. Os dois primeiros dísticos rimam entre si e essa rima se repete nos outros versos pares.

 

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Ly Sabas

 

GAZAL DA DESPEDIDA

 

Hoje te vi partir pela última vez.

Só eu vejo o fim com nitidez.

 

Nunca mais terás meu corpo sob o teu.

Juro que será assim, sem nenhum talvez.

 

Hoje fui eu quem tua chave jogou fora,

Quem fez tua mala, mantendo à força a lucidez.

 

Não importando se em meu peito o coração sangra,

Se arrasto pela casa minha embriaguez.

 

Hoje, em cada cômodo, busquei os teus pedaços;

Destruindo as lembranças sem nenhuma sensatez.

 

Apaguei com fúrias todos os rastros,

De uma paixão vivida com avidez.

 

E quando o dia amanhecer resplandecente,

E a insônia tiver zombado de mim com mesquinhez,

 

Exibirei ao sol minha canção de despedida,

Deixando, altiva, que aqueça minha nudez.

 

 

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GAZAL DA ABUNDÂNCIA DIVINA

 

Meus Anjos me mostram o caminho com bondade,

Sou capaz de transformar a minha realidade.

 

O Universo emana Abundância Divina,

Tenho consciência do Poder dessa Verdade.

 

Cada desejo meu é igual a uma realização,

Confio plenamente, com fidelidade.

 

Mantenho-me em harmonia com o Céu e a Terra.

Mente e coração unidos, emanando positividade.

Em minhas mãos, a chave que abre todas as portas.

Portas que me conectam com o Divino, sem complexidade.

 

Deixo meu Deus Interior comandar meus passos,

Deixo fluir…deixo seguir…em total liberdade.

 

Atraio para mim tudo o que me faz feliz,

Não existe obstáculo ou dificuldade.

 

EU SOU LUZ, emano e atraio LUZ.

Meu novo caminho é livre, tudo é Prosperidade!

 

 

Inspirado em “Prosperidade com os Anjos” by Angel Messenger Giani Sabas

 

 

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GAZAL DO AMOR IMPOSSÍVEL

 

Nas doces notas do alaúde, minha paixão vou te entregar.

Oh! Minha adorada, meu peito sufoca sob teu olhar.

 

Danças, sonhadora, os véus escondem teu corpo amado;

Corpo, que só através da música, meus dedos podem acariciar.

 

E eles aceleram febris, nas cordas macias elevando o ritmo.

Oh! Minha amada quero teu sangue abrasar!

 

Quero sentir a maciez de teus quadris,

No contorno do alaúde que em meu colo está a vibrar.

 

Fazer o som deslizar por tuas pernas, por entre teus seios,

Em teus ouvidos meus desejos sussurrar.

 

Danças, arrebatada, arrancando aplausos.

Corres de mãos ávidas, sem jamais se deixar tocar.

 

Minha imaginação nos leva enlaçados ao infinito,

Enquanto a música volta à suavidade que vejo em teu olhar.

 

Oh! Minha paixão, o que será desse amor,

Que meu peito sufoca, minha arte entrega e a vida me obriga a abdicar?

 

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Inês Carmelita Lohn

 

GAZAL DAS RECORDAÇÕES

 

Recordei do teu sorriso de imediato

Quando olhei na prateleira e vi o teu retrato

 

Nossos encontros eram de prazer

E vividos em pleno anonimato

Eu me despia para te esperar

E tu chegavas como um literato

 

Recordo dos nossos encontros ardentes

Naquele lugar extremamente pacato

 

Ao chegar à janela no fim do dia

Escutava os teus assovios no mato

 

Faceira eu me preparava inteira

Chegavas sempre no momento exato

 

Teus passos na estrada eram silenciosos

Ao entrar fechavas a porta para evitar boato

 

Hoje recordo da nossa história de amor

Olhando com carinho o nosso porta retrato

 

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GAZAL DE ENCONTRO

 

Respondeu com afirmação

Aquele olhar de sedução

 

A música era suave

Mas tocava com vibração

 

Depois da troca de olhares

Bailaram com fascinação

 

Foi um encontro mágico

E brindado com emoção

 

No intervalo da dança

Beijaram-se com atração

 

Quando se abraçaram

Sentiram uma sensação

 

Um corpo reconheceu o outro

Com as batidas do coração

 

E no final da noite festiva

Eles não resistiram à tentação

 

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GAZAL DE LEMBRANÇAS

 

Saiu para um passeio na avenida

Passos lentos e bem distraída

 

Olhou para a serenidade do mar

E sentiu-se abraçada e acolhida

Lembranças do amor do passado

Acordaram uma saudade contida

 

Lembrou-se do primeiro beijo roubado

E do triste momento da despedida

 

Lágrimas desceram em seu rosto

E molharam sua alma ferida

 

Imaginou como seria um reencontro

Mas veio o medo de uma recaída

 

Depois de uma longa caminhada

Sentiu que estava perdida

 

Percebeu que alguém se aproximava

Foi abraçada e chamada de querida

 

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GAZAL DO ENCONTRO POR ACASO

 

Um dia de sábado depois do café matinal

Foi até a esquina comprar um jornal

 

Andando na rua cantarolando e descontraída

Nem percebeu que havia fechado o sinal

 

Alguém a distância a chamou pelo nome

De forma romântica e cordial

 

Seu coração pulsou desenfreado de alegria

De forma poética e sentimental

 

Seguiram juntos na mesma estrada

Que parecia não haver um final

 

Os pássaros cantavam nas árvores

Em uma sintonia suave e divinal

 

Os olhares se encontraram castos e puros

Como o primeiro amor virginal

 

Quando chegaram ao destino

Ele fez o pedido de namoro oficial

 

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GAZAL DE UMA VIDA

 

Menina de olhos verdes e feliz

Nasceu em Santo Amaro da Imperatriz

 

Sentia o perfume das flores

Penetrando em seu nariz

Aos domingos vestia o melhor vertido

Para assistir a missa na matriz

 

Sonhava diante do espelho

Emoldurado em madeira e verniz

 

E nas tardes festivas na discoteca

Bailava como uma dançatriz

 

Buscava um amor verdadeiro

Mas tinha medo de ser infeliz

 

Os anos passaram depressa

E na cidade se formou em atriz

 

Sofreu por uma grande paixão

Mas restou apenas uma cicatriz.

 

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GAZAL DE PAVOR

 

Fim de tarde de verão e calor

Amigos tomavam vinho e licor

 

De repente o tempo mudou

O vendaval foi muito assustador

 

Janelas se fechavam e se abriam

Nos canteiros não restou nenhuma flor

 

As águas transbordaram no riacho

Rezavam com pedidos de clamor

 

Saíram correndo para os fundos

Se esbarrando num escuro corredor

 

Os sussurros da trovoada era forte

Parecia uma orquestra de terror

 

A chuva deslizava na vidraça

E junto trazia um frescor

 

Depois veio uma suave calmaria

E no céu um lindo arco-íris multicor.

 

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GAZAL DA NOITE DE PRAZER

 

Na penumbra quente do anoitecer

Pensou se ele vinha para lhe satisfazer

 

A sombra masculina na cortina

Fez o sangue nas veias ferver

Os lábios se encontraram com desejos

E os corpos deliraram de prazer

 

As velas nos castiçais dourados

Apagavam e voltavam acender

 

Os suspiros ofegantes dos amantes

Fizerem todas as paredes tremer

 

O copo de vinho sobre a mesa

Transbordou e começo a escorrer

 

O amor foi forte e envolvente

E o suor fez os lençóis umedecer

 

E assim aconteceu um lindo encontro

Da noite até o dia amanhecer.

 

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GAZAL DO AZARADO

 

De boa conduta de homem honrado

Numa festa cristã, percebeu ser notado

 

Os encantos da moça eram de ternura

Meses depois já estava casado

 

Na lua-de-mel ele descobriu

Que seria mais um a ser explorado

 

A esposa bonita lhe deu o desprezo

E o chamava de fracassado

 

Dormia sozinho no quarto dos fundos

A porta era trancada com cadeado

 

Diante da vida cheia de intrigadas

Vivia solitário e sempre calado

 

Na frente do tribunal da cidade

Orou de joelhos por estar separado

 

Saiu pelas ruas gritando a liberdade

E voltou ser feliz e bem humorado.

 

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GAZAL DA MULHER

 

Sempre elegante e charmosa

Com ar de menina dengosa

 

Passeava pelo jardim

Nas noites nublada e chuvosa

Gostava do canto dos pássaros

E do perfume da rosa

 

Tinha no olhar um afeto

E andar de mulher vaidosa

 

Cuidava dos seus afazeres

Era competente e zelosa

 

Cantava belas canções

Com a voz melodiosa

 

Gostava de recordar o passado

O tempo lhe fez saudosa

 

Um dia se olhou no espelho

Percebeu que já estava idosa.

 

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GAZAL DE UM SONHO

 

Não sei se era sonho ou devaneio

Andava nas ruas em estado de anseio

 

As imagens se mostravam de forma nublada

Mas com definição do irreal e do verdadeiro

 

Entre as coisas que eu conhecia

Apareceu algo totalmente alheio

 

Afastei as continhas da sala de jantar

E escutei um barulho no terreiro

 

Por um momento pensei ser um pássaro

Enganei-me era um jovem carteiro

 

Trazia nas mãos um envelope em branco

Abri para ler com cuidado e receio

 

Era uma declaração de amor

Cheia de gentilezas e galanteio

 

Ao acordar na manhã de sol radiante

Tive a certeza, que no passado fiz lindo passeio.

 

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Jacqueline Bulos Aisenman

 

 

GAZAL DO SONHO PERDIDO

 

Perdi meu sonho, ele se foi com o vento

que a vida só faz o que vai a seu contento…

Era um sonho que eu guardava a sete chaves

Destes que não partem com o tempo…

 

Mas pouco importa… a vida é mestra única

e me roubou até o mais íntimo pensamento…

 

E o que fazer agora com o vazio tão grande?

Se a esperança foi meu último lamento…

 

Talvez deixar vazar do coração um novo sonho

Será que eu posso? Será que invento?

 

Não sei… o medo me toma de perder ainda

um outro sonho, num tão brusco movimento…

 

Que a vida em tão amarga crueldade

Nem mostra um mínimo de arrependimento!

 

Ela segue orgulhosa do destino infame

enquanto morro em dor e ódio violentos…

 

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GAZAL DO PARAÍSO ENCONTRADO

 

Na noite que passou viajei e foi interessante

fui visitar o paraíso esquecido antes…

 

Era um lugar com cores nunca vistas aqui:

Verde tão verde, azul tão azul… cores gritantes!

 

Tudo tão belo, montanhas, ruas, mar…

e mesmo as gentes… um lugar impactante!

 

Fiquei por lá um tempo imenso e tão maravilhoso

sequer pensava em voltar, fosse mesmo um instante…

 

Estava em casa… meu canto, meu universo perdido.

Tão longe deste mundo aqui tão inconstante…

 

Vivi momentos, eu bem sei, cheios de amor

onde a vida era o que havia de mais importante…

 

Porém a hora de me despedir chegou e que tristeza

partir de onde tão feliz estava foi bem desgastante.

 

Pior ainda despertar tão longe do meu paraíso

com a certeza de o saber de mim agora tão distante!

 

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GAZAL DOS FANTASMAS DA EXISTÊNCIA

 

Há fantasmas no sótão de minha existência

Eles são muitos e pecam pela extrema insistência…

Insistem em permanecer comigo em todos os momentos

E me dão aquela sensação de avistar a demência.

 

Me dão opiniões, se confessam, batem portas

Me deixam prostrada diante da mais pura impotência.

 

São faladores, agitados e me tomam a mente

Fazem de mim uma só voz e consciência.

 

Como numa esquizofrenia, louca me imagino

Mas sei que são eles, os fantasmas e a impaciência

 

Que não conseguem viver um dia ou uma noite

Sem tentar o vil, a agonia e a decadência…

 

Eu tento, juro que tento me livrar destes fantasmas

E eles só riem e desprezam a minha resistência!

 

Daí eu penso: por que não conviver em harmonia

E simplesmente me deixar levar pela evidência?

 

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GAZAL DO DESESPERO

 

Me corroem as dores e não sei mais o que é viver sem

Elas me tomam o corpo e o que mais posso dizer, senão amém!

 

Gritar, quem sabe, eu poderia gritar o desespero inteiro

E ainda assim outras viriam tanto quanto estas vêm…

 

Cada dia mais fortes, mais agudas, mais intensas

Fazendo lembrar que cada parte do corpo existe também…

 

Saio do meu invólucro quando o sono me abraça

E só assim, por algumas poucas horas elas se detém…

 

Creio na vida, esta e a que um dia está por vir

Creio também na morte, o fim das dores me convém…

 

No entanto a vida grita bem mais alto e me interpela

Onde estão minhas vontades e a coragem que me mantem?

 

Levanto então e sigo, mesmo se é atroz a dor sentida

Que o mundo não é bom com aqueles que dele são refém…

 

Um dia a mais, um dia mais, ah! um dia a mais!

Mentalizo  e vou em frente até bem mais além.

 

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GAZAL DAS ALMAS PERDIDAS

 

Elas partiram daqui e se foram, algumas até penitentes

Em direção ao mundo que imaginavam em suas mentes.

As almas que deixaram os corpos foram pouco a pouco

Deixando neste mundo material um lado mau e impotente.

 

Na vida frequentaram igrejas, centros, templos e a natureza

Algumas mesmo em nenhum lugar de culto eram presentes…

 

E agora na partida, viam-se iguais em todos os sentidos

Tinham consigo nada mais que os atos praticados entrementes.

 

Também as palavras permaneceram em cada uma delas

Palavras têm poder que mata, cura e faz viver as gentes…

 

E as almas, que nos corpos guerreavam por bem pouco

Sem os corpos pesavam agora totalmente diferente.

 

Caminhos se abriam diante delas, caminhos inesperados…

Todas então tinham a chance de se ver igualmente…

 

Sem os medos, preconceitos, tanto peso a matéria tinha…

As almas eram agora o verdadeiro ser, ser consciente.

 

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GAZAL DOS GUARDADOS SEGREDOS

 

Guardados no fundo da mente estavam os segredos

Todos bem escondidos para não viver o medo.

 

Tinham receio de serem descobertos

Colocados a nu sem todo o enredo.

 

Que as consequências são sempre cruéis

Primeiro julgam, e depois vem o degredo.

 

Não há quem ouça e pense em calar

Apenas fazem disto um brinquedo.

 

Se vão parar na língua afiada

Daqueles que irão fazer folguedo…

 

Então melhor ficar dissimulados

Do que cair no linguajar azedo.

 

As confissões só eram penitências

Se feitas no padrão e ainda cedo…

 

Gritar verdades nunca foi a melhor coisa

Mesmo o calado tem apontado o dedo.

 

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GAZAL DA PAIXÃO SUCUMBIDA

 

Há em teu corpo uma história a ser descoberta

E me faço desbravadora de viagem incerta…

Jogo-me cega a na paixão inveterada

Perco-me em ti e em toda a emoção oferta

 

As mãos seguem os caminhos traçados

Pelo desejo que no peito aperta!

 

A boca livre das palavras tolas, abre-se

e dela surgem outras palavras, mais libertas…

 

Corpos colados, o suor, tensão do abandono

Todas as fomes nos engolem, boca aberta!

 

Enquanto somos um o paraíso nos acolhe

Vemos o céu, o inferno e a vida é música de alerta…

 

Até o instante em que os corpos se desunem

E lentamente se separam sobre as cobertas…

 

Tatuados pelas faíscas de paixão tão forte

Permanecemos ali com as vontades entreabertas…

 

 

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GAZAL DO MEDO FEROZ

 

Pesadelos durante o sono me tiraram a voz

Me fizeram ter medo de um despertar atroz!

 

Era tudo tão escuro e os monstros tão humanos

Gente capaz de um mal tão grande e feroz!

 

As cenas desfilavam como um filme de terror

E eu sem palavras diante de tão vil algoz…

 

Matavam, torturavam, arrastavam uns aos outros

E eu querendo correr de lá do modo mais veloz…

 

Estática, sem poder mover sequer os olhos

Apenas era testemunha do mal de todos nós…

 

Andava por caminhos densos e neles me perdia

Mas nunca em nenhum instante estava a sós…

 

O medo me paralisava os passos e o coração saltava

Foi quando me acordei em agonia sobre os lençóis…

 

Para ver sem crer que ao meu lado estavam ainda

Todos aqueles que mataram meus heróis.

 

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Juca Cavalcante

 

GAZEL DA ESPERANÇA

 

Vejo sua foto lá no canto

Tento segurar meu pranto

 

Sinto meu corpo tremer

É a sua voz em forma de acalanto

 

Espero que nada mude esse momento

Pois te quero tanto

 

Sua presença é forte

Me protege como um manto

 

Tento segurar a emoção

Pra que nada quebre esse encanto

 

Apelo pra tudo

Tudo que seja santo

 

A esperança renasce

Então eu me levanto

 

Tudo se ilumina

É sua presença em forma de canto.

 

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GAZAL DA INCERTEZA

 

Me apoio na minha leveza

Mas sou derrotado pela sua beleza

 

Tento camuflar minha angústia

Mas sou vencido pela sua certeza

 

Fujo da minha dúvida

Mas vou encontrar sua singeleza

 

Você é serena

Mas esbarra em minha aspereza

 

Invento mil artifícios

Mas o que prevalece é a sua destreza

 

Seu olhar analítico me desafia

Mas não seguro minha avareza

 

Tento regredir meus passos

Mas você põe tudo sobre a mesa

 

Você é o pilar da minha vida

E eu apenas uma incerteza.

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GAZAL DA PERDIÇÃO

 

Ando pela noite feito assombração

Nem consigo ver o chão

 

Penso ver uma luz lá na frente

Não. Era só ilusão

 

Minhas pernas me levam

Minha mente é um turbilhão

 

Tropeço nas pedras

Mas não vejo a solução

 

Meu pensamento está em você

Mas você não está não

 

Minha dor é como gelo

Que derrete queimando o coração

 

Talvez encontre a saída

Talvez encontre sua mão

 

Na verdade vou duelar

Com minha própria perdição.

 

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Ana Rosenrot

 

GAZAL DA DESILUSÃO

 

Seu silêncio me causa dor,

Sua indiferença fere meu amor…

 

O que houve com seu sorriso,

Seu rosto emana rancor…

 

Que saudade dos tempos idos,

De nossos beijos cheios de ardor…

Meu peito se afoga em pranto

O mundo perdeu a cor…

 

Noites repletas de pesadelo,

Dias cheios de horror…

 

Solidão que corrói o peito,

Coração doente, perdido, sonhador…

 

Sinto falta de seus braços fortes,

Do seu corpo vibrante, do seu calor…

 

Preciso vencer a tristeza, recomeçar,

Colando os pedaços do meu coração sofredor. 

 

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GAZAL DA PAIXÃO REPRIMIDA

 

Hoje eu quero tudo falar…

Esquecer o medo que sempre me fez calar..

 

Minha alma clama por ti…

Não posso mais esperar…

 

Quero te sentir, te ver, te absorver…

Com paixão te tocar…

 

O desejo me consome lentamente…

Me sinto incendiar…

 

Cansei de me esconder, de fingir…

Quando eu só quero te olhar…

 

Vou gritar aos quatro ventos…

Contigo quero ficar…

 

Você vai me ouvir…

Não terei que me explicar…

 

Te quero ao meu lado, a vida inteira…

Para sempre te amar.

 

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Marilu R F Queiroz

 

GAZAL DA SAUDADE

 

Saudade, versos de quem ora.

Doce alento de quem por você chora…

 

Lindos e sentidos poemas de amor,

que relembram os tempos de outrora.

 

Sonhos etéreos de natureza árida

Paixões avassaladoras que vão embora.

 

Sentimentos retrógrados, doentios

que assolam minha alma e só piora…

 

Que sofre pelas lembranças fugazes

e clamam versos sentidos pela vida afora..

 

O meu eu tristonho vaga na imensidão…

traduz o sentimento que neste poema aflora.

 

São palavras, olhares fugidios e desconexos…

que magoam o meu coração, que não melhora..

 

Esquecer essa tristeza é necessário e difícil…

Quem me dera recuperar a alegria sem demora!

 

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GAZAL DA MÃE NATUREZA

 

Na suavidade da noite misteriosa

ou no dia a dia da mata ruidosa…

 

Existem pequeninos seres viventes

e também baila a bela ninfa caprichosa.

 

Na profundidade do azul do céu

Se vê uma constelação sempre formosa.

 

Sonhos etéreos de natureza infindável,

cujo quietude se apresenta ardilosa …

 

Apesar de toda essa imensa beleza

Existem seres de natureza perigosa…

Cobras, lagartos, escorpiões, aranhas…

De instinto selvagem, essa figura rancorosa.

 

Borboletas coloridas, pássaros cantantes

Dividem a vida de maneira harmoniosa.

 

E eu que sou humana, respeito e admiro

A mãe natureza, sempre tão maravilhosa!

 

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GAZAL DA CHUVA

 

Céu azul acinzentado, por si só

É certeza eminente de um toró.

 

Nuvens grandes, outras pequeninas

Choram na imensidão fazendo dó.

 

Percorre os campos e as relvas

Cai chuva fria no capim-cidró.

 

Molha também toda vegetação

E escorre ligeira para o igapó.

 

Nas pedras envoltas de água

Vê-se ao longe o esguio socó.

 

Na árvore escondido em seu ninho

Com sóbrio traje bicolor, o curió.

 

Na relva lisa e molhada da chuva

Arrasta-se o vagaroso coró.

 

E assim segue a esperta natureza

Fazendo do seu ciclo, um verdadeiro nó!

 

 

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GAZAL DO AMOR SONHADO

 

Tu és o sol, meu luar

Paz que eu quero alcançar…

 

Tu és razão do meu mundo

Que sempre me faz sonhar.

 

Tu és paixão que um dia

Pensei logo encontrar.

 

Tu és flor que murchou

Antes de eu te achar…

 

Tu és céu infindo e risonho

Que não posso tocar.

 

Tu és linda ave sozinha

Que foi tão longe voar…

 

Vida quem sabe algum dia

Possa eu me alegrar…

Por descobrir um jeito

Do teu amor conquistar!

 

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Carla De Sà Morais

 

GAZAL DA IGNORÂNCIA

 

Penso na humanidade e sua intolerância

Gostaria de vê-la sem jactância

 

Poder dizer-lhe em amizade

O que conta é substância

 

Não podemos prosperar

Se não há o mínimo de constância

E se queremos que o amor triunfe

Temos que acabar com a distância

 

O que impede os corações de amar

Porque a palavra chave é a ganância

 

Que destrói e mutila

Desde a terna infância

 

Onde a memória nos transporta

Aos meandros da fragrância

 

Libertando a humanidade

Que vive na ignorância

 

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GAZAL DOS SENTIMENTOS

 

O respeito é um cristal

Que prima por ser leal

 

A empatia não tem preço

Um sentimento sem igual

 

A compreensão é importante

Atitude mais que vital

 

Com ela percebemos

O que é fundamental

 

Que dizer da amizade

Sem ela seria o mistral

 

Vento frio do Norte

Que sem abrigo nos seria fatal

 

E quando falamos de amor

Sabemos que falamos do graal

 

Licor refinado e precioso

Dum místico floral

 

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Isabel Vargas

 

GAZAL DA PERFEIÇÃO

 

Olhar tua face é minha perdição

Diante de uma escultura em perfeição.

 

Desde que te vi pela primeira vez

Meu desejo foi ganhar teu coração.

 

Durante vários dias seguidos

Limitei-me à mais tímida observação.

 

Trocar palavras contigo

Foi uma inebriante sensação.

 

Com intuito de te cativar

Comecei a entoar uma canção.

 

Com alegria vi tuas faces

Transformarem-se em verdadeira emoção.

 

Todo teu ser foi se transformando.

Vi uma deusa em sua distinção.

 

Todas as suas instantâneas atitudes

Despertaram em minh` alma desejo de proteção.

 

 

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GAZAL DA SAUDADE

 

Meu ser sente imensa saudade

De um tempo que vivíamos em cumplicidade.

 

Entre tantos predicados a destacar

Impressionava-me tua sincera amorosidade.

 

As atitudes no cotidiano vivido a seu lado

Proporcionavam-me grande felicidade.

 

Aos meus afagos, carícias, beijos

Todo teu corpo revelava receptividade.

 

Observar-te em abandono

Era ver a imagem da formosidade.

 

O tempo manteve nosso sentimento

Que não denotava nenhuma ambiguidade.

 

Vivemos intensos momentos

Sem nenhuma culpabilidade.

 

Nosso romance foi tão vibrante

Que foi testemunhado pela sociedade.

 

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Gladis Deble

 

GAZAL NOTURNO

 

O crepúsculo carrega dores

Em sua explosão de cores

 

No corpo o brilho da vida

E a dádiva das flores

 

A paleta nova do verão

Exibe os seus pendores

Carrega comigo manchas

Esconde lírica os amores

 

Enquanto a noite a galope

Espalha seus opressores

 

Estrelas emprestam brilhos

Surgem poetas, cantores

 

A lua brinca e se esconde

Eu misturo meu poema com uns restos de licores.

 

 

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Jania  Souza Souza

 

GAZAL PARA O HOMEM OCIDENTAL CONTEMPORÂNEO

 

Teu cheiro de mato acende meu olfato

Navego em teu pelo em doce enlevo de fato

 

Eriçado em minha mente e no contato dos dedos

Teus olhos de cobra queimam meu desejo farto

 

São lanças de dardos afiadas nas curvas do corpo e d’alma

Na dança do amor, teus músculos rijos parecem incautos

 

 

E arrancam gemidos da garganta da leoa que urra no cio

Remetem certeiras flechas de prazer em minha pele e tato

 

Meus sonhos e segredos enrolados nas células do teu travesseiro

Na alcova dos sonhos lençóis de neblina envolvem de fato

 

Debruçado na curva dos montes que regem meu peito

Pássaros habitam em teu sorriso a despertar teu pensamento

 

Sou flor revigorada no rio sublime que me fez renascer

Alegre e feliz acordo para novo dia com um sentimento

 

 

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