Cordel

OFICINA CRIATIVA NO GRUPO DO VARAL DO BRASIL: CORDEL!

 

Objetivo: Criar um Cordel baseado na cantiga popular O Cravo Brigou com a Rosa

Formato: Cordel

Iniciativa e Organização: Ly Sabas

 

“O dia em que o Cravo brigou com a Rosa”

 

Na infância começou

Cravo a amar Rosa

Bela menina sapeca

Alegre e carinhosa

Entre folguedos a vida

Seguia prazerosa

 

 

No seu desejo de brilhar

Ser a flor que encapela,

A Rosa revigora

Quer tornar-se a mais bela

Colorindo o seu reino

Em alegre aquarela

 

 

A Rosa sempre vaidosa

Galanteia o tímido Cravo

Que louco de paixão

Se comporta como escravo

Não se importando que alguém

Não o achasse bravo

 

 

Novidade no jardim:

Lindo Lírio foi chegar.

A Rosa assanhada

O Lírio quis namorar

Paixão tão perigosa

Amor que não vai prestar

 

 

O Cravo então percebeu

Que a sua desventura

Era amar tanto alguém

E viver esta aventura

E superar esta dor

Com cordel literatura

 

 

Dias e dias passaram

E em façanha irreal

A Rosa chegava faceira

Pra viver novo ideal

Já esquecia o Brasil

Foi conhecer Portugal

O Cravo ficou triste

Logo pôs-se a chorar

Amor empobrecido

Que não há de acabar.

É só fogo de palha,

A Rosa há de voltar!

 

Mas o Cravo já sabia,

No fundo do coração,

Amor que destoa o rito

Vai embora, queima o chão

E o melhor pro sábio amigo

Era esquecer a paixão

 

O Cravo em sua tristeza

Tenta encontrar outro alguém

Vem a Margarida charmosa

No olhar o desdém

Pois sabe ela ser mais bela

É na vida não ter ninguém

 

Lá no meio do caminho

Rosa não queria amar

O Lírio não entendeu

Rosa pôs-se a explicar

Meu amor não é só teu

Vou jogar ele no mar

 

Triste sina da Rosa

Essa de se apaixonar

Coração não tem dono

É de quem ela quer dar

Mais difícil é saber…

A quem ela deve amar

 

O Lírio viu outra flor…

Por ela se apaixonou

Rosa ficou tristonha

Com isso se atrapalhou

De coração partido…

Pelo Cravo procurou.

 

Por tamanha traição

Ela foi se desculpar

Magoado que só ele

Cravo não quis escutar

E por ele dizer não

Rosa pôs-se a chorar

 

Em canteiros de lilases

Divina rubra rosa

Espelha sua tristeza

O Cravo cheio de prosa

Por olhares a Margarida

Descuidou-se da bela Rosa

Rosa então constatou

Já não era rainha das flores

Seu reinado desabou

Seu perfume virou odores

Entre o Cravo e o Lírio

Grandes dissabores.

 

A Rosa é meiga e carinhosa

Por isso sofre dores mil

O Cravo sabe disso

Pois tudo ele já viu

Fará com que a Rosa

Chore no seu covil

 

A Rosa em tremor, suspiro

Se despetala de amor

O Cravo briguento e tímido

Se esconde de sua dor

Faz do jardim, abrigo

Abraça sua rosa-flor

 

Mas sem querer desapontar

Seu amor do coração

Rosa passou a sonhar com Pasargada

Sem tirar o pé do chão

Lá a vida ficava animada

Era amiga de peão

 

Um dia o Cravo verá

A beleza da Rosa

Convencido como ele

Ficará todo prosa

Mas a Rosa, esperta

Tornará sua vida amargosa.

 

O Cravo apaixonado

Pede a Rosa em casamento

Sem pensar na resposta

Que seria um tormento

Porque a Rosa desinteressada

Deixa o Cravo em sofrimento

 

Triste Cravo amargurado

Que fazer da sua vida

Se a sua Rosa altiva

Do seu amor duvida

Sente-se perdido e só

Com a esperança dissolvida

 

Assim segue a vida

Cravo a Rosa amar

A flor muito formosa

Que todos querem ficar

Tudo estava em paz

Até o casal brigar

A Rosa que antes chorava

Decide seus olhos enxugar

Procurar ao seu redor

Outro para amar

Em meio a tantas flores

Outro amor vai encontrar

 

Olhando a Rosa está

Um Crisântemo apaixonado

A Rosa joga charme, formosa

O Cravo fica enciumado

Rosa dengosa fica satisfeita

Em provocar seu ainda amado.

 

O Cravo enfurecido!

É o diabo a sussurrar…

(Conselheiro pior não há)

Para na terra espalhar

Poderoso veneno

E o Crisântemo matar

 

Onde impera a vaidade,

O demônio faz a festa

Deixando Rosa em desespero

Só a oração lhe resta:

“Nossa Senhora do Rosário,

Salve quem ele detesta! ”

 

O Cravo ficou bravo

Pelo que observou

De sua força bruta

Nervoso se utilizou

Puxou forte a Rosa

Quase a despetalou

 

Ele pediu desculpa,

De nada isso valeu

Estrago já foi feito…

A compostura perdeu

A Rosa revoltada

Sua raiva só cresceu

 

Em canteiros de amores

Cravo brigou com a Rosa

Rosa triste, triste ficou

Tanto o Cravo como a Rosa

Sofreram por tal desengano

Deste, o último suspiro da Rosa

 

De tão desprezado ser

O Cravo decide abandonar

Esta Rosa fútil e vazia

Que o conseguiu enervar

Bateu a porta e partiu

Para nunca mais voltar

A briga entre o Cravo e a Rosa

Deixou rastos no jardim

As flores sentiram tristeza,

Sem a beleza da Rosa carmim

Sem o suave perfume do Cravo

Perderam viços e cores, assim.

 

Seu mundo ao redor

Sentiu a Rosa desmoronar

O Cravo também sentiu

Seu mundo despencar

Pois antes eram exemplos

De belezas a perfumar

 

Em canteiros continuam

Sem o amor de outrora

Cravo e Rosa em desengano

Odor de abandono aflora

Por brigas e ciúmes

Sem retorno, o fim apavora

 

Briga sem razão

Em relação rancorosa

Devaneios sem solução

Vivem o Cravo e a Rosa

Afastados corpo e alma

Em terra porosa

 

Pobre Rosa! Pobre Cravo!

Em amor estilhaçado

Não há recomeço

Todo esforço tentado

Não retira do coração

O sangue derramado

 

Dos olhos tristes

Brotam lágrimas poderosas

Para a vida recomeçar

Em almas amorosas

A dor esquecer

Para o futuro olhar Cravo e Rosa

 

Reconciliados os amantes

Puseram a pincelar as flores

Por entre sorrisos e beijos

Exalando perfumes e cores

Com novas flores a vibrar

No jardim, seu reino, seu lar

 

O coração tem artimanhas

Para continuar a sobreviver

Cravo e Rosa maduros

Precisam conviver

Sem a paixão avassaladora

Com a ternura do viver

Decidido está:

A Rosa e o Cravo seguirão

Cada um em novos caminhos

Para uma nova paixão

E superadas as mágoas

Amigos se tornarão.

 

Nas brigas a Rosa e o Cravo

Ficaram sem entender

O porquê de tanta gana

Lhes fazendo se exceder

Perdendo o importante

Que guardavam do viver.

 

Refletindo, os dois bicudos

Sorriram até sem querer

Vendo a tamanha bobagem

Que acabara de ocorrer

O Cravo e a Rosa souberam

Que era melhor se entender.

 

Nem sempre tudo são flores

Neste mundo de meu deus

E até elas têm espinhos

Que podem chamar de seus…

Brigaram todo este tempo

Como crentes e ateus.

 

O Cravo e a Rosa calmos

Voltaram a viver em paz

Trocaram as caras feias

E o mau-humor capataz

Pelo beijo mais bonito

Que o amor era capaz!

 

Se o Cravo brigou com a Rosa

Debaixo de uma sacada

No jardim das flores,

Muita história contada

Nenhuma tão expressiva

Em versos simplórios narrada

 

E assim acabou a história

Das flores do meu jardim

Cravo e Rosa de mãos dadas

Cantados sem frenesim

Viveram felizes sempre

E o cordel teve um fim!

 

 

Amor… paixão… traição

Desengano… esperança… imortalizada

Em bela cantiga popular: O CRAVO BRIGOU COM A ROSA, E A ROSA CHOROU…

 

Participantes : Ana Rosa Santana, Antônio Marcos Bandeira, Cida Gaiofatto, Carla de Sá Morais – Gossuin , Flávia Pereira Lage Barbosa, Jacqueline Aisenman, Juca Cavalcante, Ly Sabas, Marilu R F Queiroz, Neyde Bohon, Norália Castro, Sandra Nascimento.

 

 

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