Bem-vindos

 

 DA SUÍÇA PARA VOCÊ, ONDE VOCÊ ESTIVER, A LITERATURA DA LÍNGUA PORTUGUESA:

REVISTA VARAL DO BRASIL (ISSN 1664-5243)

LITERATURA, SEM FRESCURAS

DESDE 2009 ESPALHANDO A SEMENTE DAS LETRAS LUSÓFONAS!

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COMUNICADO

A TODOS OS AMIGOS QUE ACOMPANHAM O VARAL DO BRASIL

SABER O MOMENTO EXATO

 

Saber o momento exato para alguma coisa é algo muito difícil, se não for, mesmo, algo impossível. O momento exato de começar algo, de levar adiante e enfim, de parar. Eis o que talvez seja o mais difícil de tudo. Saber o momento de parar.

Hoje, a dois meses de completar sete anos de atividades, venho comunicar a todos os amigos que o VARAL DO BRASIL está encerrando suas atividades, nelas incluindo aqui a revista literária, motor do que se tornou o Varal para a comunidade literária lusófona internacional.

Pendurei o Varal pela primeira vez em 2009 com o objetivo de fazer “literatura sem frescuras” num mundo literário avesso à simplicidade e aos escritores “iniciantes”. Considero que fui longe, bem mais do que poderia sequer imaginar. A revista, as antologias, os concursos literários, as participações dinâmicas no Salão Internacional do Livro de Genebra, os eventos aqui na Suíça e no Brasil…. Tudo foi parte de um longo, frutuoso e feliz caminho, por onde fui encontrando pessoas que hoje são mais do que apenas pessoas conhecidas, são amigas que guardo no coração.

Quando comecei o Varal não havia atividade literária brasileira aqui na Suíça e as atividades literárias brasileiras pela Europa eram escassas, raras mesmo poderia se dizer. E não existia uma revista e nem uma proposta parecida com o que Varal chegava trazendo. Num período de praticamente sete anos fui pioneira em tantas iniciativas e projetos nesta área que confesso, se não ouvisse de outras pessoas o que ouço, custaria a acreditar que fiz mesmo tudo isto. Realizar uma revista que valorizasse a literatura e ao mesmo tempo abrisse espaço com igualdade e amizade, para todos sem exceção, nunca foi simples. Levar um estande brasileiro ao Salão do Livro de Genebra, um dos salões mais sofisticados e intelectuais da Europa? Praticamente impensável! Mas fui lá e não pedi licença. Apenas mostrei que sim, tínhamos o que apresentar e não era “oba-oba“. Fazer seis antologias de qualidade, com bons textos, boa edição, capas fantásticas unindo artistas plásticos aos escritores…. Um concurso literário internacional como o Prêmio Varal do Brasil de Literatura, que premiou não somente brasileiros, mas também autores de outras nacionalidades, sempre escrevendo em Português…. Tudo foi excepcional, grande, tão precioso para meu coração! Deu trabalho? Deu sim gente, ô seu deu…. Mas valeu tanto a pena! Vejam as fotos e vocês me darão razão!

O tempo passou, multiplicaram-se os acontecimentos, os eventos, os livros… E cá estou eu aqui hoje para colocar em tudo isto um ponto final. Iniciei e finalizo as atividades do Varal do mesmo jeito que elas sempre foram realizadas: sozinha. Me perguntaram tantas vezes (e me perguntam ainda) sobre minha equipe, quantos eram, quem fazia o quê, de onde eram… Os votos de Feliz Natal vinham para mim, extensivos aos membros da equipe! Falo para vocês que minha filha bem que tentou me fazer “criar” uma secretária para ao menos dar uma “boa impressão”… A impressão que a equipe existia…

Mas não havia mais ninguém. Meu sonho sempre foi muito particular e, no fim das contas, trabalhar meio solitária, com muita música para ouvir e meu cachorrinho do lado, é algo que aprecio realmente. Não chamo isto de solidão, mas de momentos bem vividos, de trabalho feito por vocação e carinho. Mas sim, fica então aqui registrado, nesta despedida, que o VARAL DO BRASIL sempre foi apenas eu mesma, sem equipe. Vocês conhecem aquele “homem-orquestra” que toca pelas ruas em alguns lugares pelo mundo e algumas vezes faz shows por aí? Pois é, eis o que fui para o Varal do Brasil. Com muita vontade, força e alegria, respondi milhares de e-mails e nunca deixei sem respostas as muitas mensagens recebidas no site, no blog e pelas redes sociais. Li, analisei, revisei milhares de textos de todos os gêneros. Li e divulguei centenas de livros. Distribuí pelas praças, aviões e aeroportos, festivais e parques, dezenas de livros! Doações? Entre o Brasil e a Suíça foram doados até a data que estou fechando as portas, milhares de exemplares. Há bibliotecas em Português que tiveram um aumento considerável em seus acervos lusófonos graças a estas doações. Outras foram criadas por causa das doações! Mais de sessenta números da revista circularam e circulam pelos cinco continentes, levando literatura lusófona da forma mais descontraída possível (realmente sem frescuras, colocando lado a lado escritores sem comparação alguma entre eles) a pessoas que não tinham acesso a ela antes que nosso Varal fosse pendurado pelos céus literários. Fui aos poucos aprendendo a lidar com os softwares necessários para a edição de textos, de fotografia e etc… Horas sem contar com pesquisas, leituras, escolhas de capa, ilustrações individuais para cada texto…. Enfim, com dedicação e todo o amor que sempre tive pela literatura e pelas pessoas com ela envolvidas. Viajei muito, montei e desmontei estandes (com a ajuda fiel e preciosa do Paulo), carreguei muitas malas e caixas de livros por aqui e pelo Brasil! Derrubei caixa de livros sobre os pés, chorei de cansaço, gritei inúmeras vezes que não faria mais nada. Mas continuei, sempre por amor, livros embaixo dos braços e muito boa vontade no coração. Enfim, fui à luta pela literatura sem frescuras tão cara à minha vida!

Sempre tive o apoio do Paulo e dos meus filhos, que tantas vezes me esclareciam, abriam os olhos, me faziam críticas necessárias e construtivas e foram meu braço direito durante os dias de Salão do Livro aqui em Genebra. Minha filha sempre prática e certeira; meu filho, artista na alma, dando ideias que só poderiam vir de alguém talentoso como ele. Ao Paulo, companheiro incansável do cotidiano e das lutas do Varal, serei eternamente grata por tudo o que representou para mim enquanto Varal do Brasil, investindo seu tempo no Salão e outros eventos e, não poderia deixar de dizer, investindo financeiramente de forma massiva para que as antologias e o estande em Genebra pudessem se realizar. E para que a revista fosse sempre gratuita como o será até seu último número. E não vou esquecer que até uma livraria tentei fazer aqui, sem muito sucesso, tendo em vista a dificuldade de encontrar aqui em Genebra o público alvo necessário. Mas tentei.

Tenho que agradecer de todo o coração os colaboradores da revista, alguns desde o primeiro número, fiéis escudeiros que me acompanham há anos e que foram, sem dúvida alguma, as sementes e os frutos sem os quais não haveria a revista! Não citarei nomes para não deixar algum de lado, pois foram mais de mil pessoas que passaram pelo Varal no seu conjunto de atividades. Porém, saibam, não esqueço o nome de vocês porque sei, “de cor e salteado” como se chama todo aquele e toda aquela que já participou de algo que tenha feito com o Varal do Brasil! Conheço todos, sem exceção e sou fã!

Agradeço também, com o coração, a todos os leitores amigos, sinceros, críticos, elogiosos, pessoas que foram fundamentais para a existência da revista! Graças aos leitores, a repercussão do Varal do Brasil sempre foi grande, cada edição indo mais longe que anterior. Agradeço particularmente aqueles que disponibilizaram a revista em seus sites e blogs, compartilharam por e-mail e nas redes sociais. Agradeço também, coração na mão, aos que levaram a revista à imprensa, escreveram notas, artigos, etc. Vocês todos são mil!

E um agradecimento especial que não poderia deixar de estar aqui, para as meninas mais queridas do mundo, inteligentes, belas e muito competentes, que nos ajudaram nas duas últimas edições do Salão do Livro de Genebra, sendo mais do que colaboradoras, membros da família, com certeza. São elas Catarina Mastellaro e Erica Rabbeljee. Com simpatia e inteligência articularam o estande, atenderam os visitantes e os escritores e, cá entre nós, graças a elas tive momentos de muita, muita alegria durante e até mesmo depois de terminado o evento! Obrigada queridas!

O VARAL DO BRASIL uniu pessoas pelo mundo. (Sim, eu sei, acabei de dizer que o Varal sou “eu sozinha” e depois escrevo desta forma… Pois é, e eu mesma já me acostumei a falar de mim na terceira pessoa me chamando de Varal. Cansei de ir a lugares onde as pessoas se dirigiam a mim como: “Ah, você que é o Varal? ” E eu, muito naturalmente, respondia sim…!) Minha mãe diria que é para isto que nasci, “para juntar as pessoas”, mesmo as mais diferentes! Ela me dizia isto lá na infância, depois repetiu na juventude e na idade adulta, ao me ver reunir os amigos, que geralmente pertenciam a turmas distintas e se reencontravam através de mim. Devo ser mesmo de natureza agregadora, pois faço isto naturalmente e me sinto tão feliz!

Através… Sim, através dos eventos, das antologias e da própria revista, as pessoas foram se unindo, reunindo, fazendo amizade umas com as outras, criando projetos juntas, concretizando planos, criando e desenvolvendo coisas nas quais me sinto incluída e muitas das quais me orgulho. Este é o maior legado que estou deixando ao encerrar o Varal: um traço forte de união e amizade que permanecerá além do que fiz, aliado a um conjunto de realizações que seguem levando a literatura lusófona adiante aqui no exterior.

Para encerrar de forma definitiva minhas atividades, uma edição da revista será distribuída em setembro. Escolhi o tema PÁGINAS DE SANGUE, Vozes contra a violência e este número, que sairá em meados de setembro, será o último da revista VARAL DO BRASIL.

Como eu disse no início, saber o momento exato para algo é de uma impossibilidade que até os céus hão de concordar! Mas na verdade, não é preciso saber. É preciso sentir. Sentir na alma, no coração. E quando se tem este sentimento, não há dúvida, é a hora.

Bem, chegou minha hora de parar. A “mulher-orquestra” do Varal encerra suas atividades feliz com tudo o que realizou, realizada com tudo o que foi cumprido e que nunca foi um dever ou uma obrigação. Teve com ela músicos de excelente qualidade que, de tantos lugares, vieram e tocaram junto. Despedidas duras se fizeram (Saudades da Renata e da Saskia que partiram!) assim como se solidificaram amizades, aqui, no Brasil e em muitos países.

Agradeço a todos os que participaram dos eventos e da revista, que enviaram textos, que me alegraram com suas mensagens e papos, com seus sorrisos, gargalhadas, incentivos, dicas, comentários. Agradeço aos que me enviaram críticas importantes que me fizeram crescer, ser uma pessoa melhor e fazer melhor o meu trabalho. Agradeço a todos os que tentaram me prejudicar, pois estes últimos foram o mal necessário para que meus olhos se abrissem mais e meus pés permanecessem no chão.

Todos são parte daquilo que que sinto na alma: Houve uma vitória! Vejo isto ao ver o que se tornou o Varal hoje, estendido entre os continentes, balançando com o vento da vida enquanto tem em seus cordões milhares de textos pendurados!

Enfim, chegou a hora de fechar as cortinas. Em setembro, quando a edição for distribuída, será o final deste projeto de literatura sem frescuras que conquistou tantos poetas, tantos escritores, tantas inspirações. Mas não será o fim das amizades…. Nos veremos por aí, porque a revista Varal se encerrará, mas a vida continua!

Abraço amigo, com carinho, Jacqueline (Varal do Brasil)

 

*Este site permanecerá no ar indefinidamente. Ficará como arquivo e como testemunho do que realizei junto a tantos escritores de tantos lugares do mundo.